Versões mais simples crescem em meio à falta de chips

    [Fonte: Autoo]

    Fato é observado em modelos como a Fiat Strada e o Argo, líderes de mercado em maio

    A falta de componentes na indústria automotiva criou uma tendência que deve perdurar por um bom tempo. A saída em questão passar por reforçar a produção das versões mais simples de determinados automóveis, algo que poderá amenizar a situação de falta de insumos e evitar um desabastecimento ainda maior do mercado.

    Devido ao conteúdo menor de tecnologia que observamos nos catálogos de entrada, algumas configurações acabam sendo menos abaladas pela escassez de semicondutores e surgem como a saída para que algumas marcas consigam manter suas linhas de produção operando e abastecendo a rede de concessionárias.

    A única saída viável em tempos de crise foi claramente constatada ao observarmos o ranking de vendas de maio, em que três modelos da Fiat ficaram com o pódio. Liderados pelo Argo, com 10.929 emplacamentos, logo em seguida aparece a Strada, com 9.918 unidades e, logo após, o Mobi como a escolha de 7.443 consumidores.

    O que dizem os números

    A pedido do AUTOO, a Fiat nos informou como ficou composto o mix de vendas em especial do Argo e da Strada. Pelo levantamento, fica claro que a participação das versões mais simples ajudou no sucesso comercial da dupla.

    Especificamente no caso do Argo, a versão Drive respondeu por mais da metade (53%) dos emplacamentos do modelo. Já a opção de entrada 1.0 manual ficou com outros 18% das vendas do modelo. Temos, portanto, 71% do total de emplacamentos do hatch por conta dos seus catálogos de entrada.

    De série, o Argo 1.0 manual (R$ 62.690) não traz nenhum equipamento além do essencial (ar-condicionado, direção assistida e trio elétrico), sendo que apenas a partir da versão Drive 1.0 (R$ 68.290) é que o hatch acrescenta central multimídia de série, item que demanda mais semicondutores em sua produção.

    Somente no catálogo Drive 1.3 S-Design (R$ 73.790) é que o Argo passa a contar com os controles de tração e estabilidade de série, bem como chave presencial, sensor de estacionamento, entre outros itens mais avançados. Sua participação em vendas, contudo, certamente é menor do que a opção com motor 1.0.

    O Argo Trekking, somando as opções 1.3 manual e 1.8 automática, respondeu por 26% das vendas do hatch. A configuração topo de linha HGT, por sua vez, foi a escolha de 3% do público.

    Mesmo cenário para a Fiat Strada

    No caso da Fiat Strada, mais uma vez quem lidera as vendas da picape é a versão de entrada Endurance cabine plus (R$ 77.290), que responde por 32% dos emplacamentos do modelo.

    No catálogo em questão, a Strada traz apenas os controles de tração e estabilidade como os itens que mais demandam semicondutores. Ainda equipada com direção hidráulica, a Strada mais barata sequer conta com calotas ou rádio.

    As versões Freedom cabine plus, Freedom cabine dupla e a topo de linha Volcano gravitam em uma participação em torno de 20% no mix de vendas da linha Strada. Mais equipadas, não por acaso a Fiat deixa claro em seu site comercial que a fila de espera para algumas versões da picape pode alcançar 5 meses.

    Quanto mais tecnologia, maior o abalo

    Se as versões mais simples são as que conseguem ser produzidas em meio à falta de semicondutores, modelos com projetos recentes e mais avançados sofreram um duro golpe.

    A GM, por exemplo, divulgou recentemente um comunicado em que é possível entender porque os Chevrolet Onix e Onix Plus estão com a produção parada e sem uma perspectiva de retorno tão cedo.

    Tanto o hatch quanto o sedã oferecem de série em todas as versões os 6 airbags de série e os controles de tração e estabilidade.

    No catálogo topo de linha, os compactos da Chevrolet oferecem assistentes de condução avançados, como o assistente de estacionamento e o monitoramento de pontos cegos.

    Com isso, o Onix e o Onix Plus podem demandar cerca de 1.000 semicondutores ao todo dependendo da versão, enquanto um compacto não tão equipado demanda de 500 a 700 microchips.

    Ao menos por enquanto, no acumulado do ano, o Onix segue como o segundo automóvel mais vendido no país, com o Hyundai HB20 aproximando-se rapidamente.

    A GM se posicionou de uma forma contrária à possibilidade de oferecer versões mais simples do Onix como uma forma de driblar a crise dos semicondutores, alegando que, se assim o fizesse, iria afetar exatamente um dos pontos que ajudou no sucesso da nova geração do compacto: o nível de tecnologia superior.

    Com a perspectiva do desabastecimento de microchips avançar para 2022, nos resta acompanhar como serão os desdobramentos do mercado.

    Fiat Argo 2021