Peugeot 2008 ganha tapa no visual, mas cativa pelo custo-benefício

    [Fonte: Uol]

    Faz sete anos que o Peugeot 2008 está entre nós. Embora nunca tenha sido um sucesso estrondoso de vendas, o SUV compacto mais longevo da categoria estava com as vendas em baixa nos últimos anos, algo que durou até o “fim da era PSA”.

    Agora sob a tutela da Stellantis, a marca francesa fez algumas mudanças discretas no design do modelo. E mais importante: manteve os preços competitivos de olho em quem valoriza uma boa relação custo/benefício.

    Na avaliação de UOL Carros, você confere as novidades do 2008 e, claro, se ele realmente é uma boa compra.

    Design e espaço interno

    Lançado em 2015, o 2008 estreou em uma época “ingrata” no mercado brasileiro. Diante de concorrentes como Honda HR-V e Jeep Renegade, o Peugeot acabou ofuscado pelo sucesso dos rivais.

    Isso fez com que muita gente não enxergasse as virtudes do modelo. O design era foi uma delas, uma vez que – na modesta opinião deste que vos escreve – o SUV sempre teve um visual agradável. Nesta última atualização, o 2008 mudou bem pouco: os faróis ganharam máscaras negras e a traseira traz uma seção pintada na cor preto brilhante – uma forma de aproximá-lo com o restante da gama, em especial modelos como o 3008. Foi uma boa tentativa, embora o carro já não consiga esconder mais as rugas.

    Por dentro, o 2008 preserva o visual da antiga geração do 208. Algumas características denunciam a idade do projeto, como a linha de cintura mais baixa do que os modelos mais atuais e a ergonomia, especialmente para o motorista. Mesmo assim, a cabine não parece tão datada como acontece em um carro com sete anos de idade.

    A posição de dirigir merece elogios. O conceito i-Cockpit, que consiste em um volante de diâmetro pequeno e o quadro de instrumentos em um lugar mais alto, agrada quem gosta de uma condução mais esportiva e privilegia motoristas de baixa estatura. Os bancos dianteiros ficam em uma posição bem alta, e isso é bem ruim para quem tem mais de 1,75 m.

    O mesmo acontece quando pensamos no espaço interno, que nunca foi muito generoso. Quem viaja no banco de trás possui pouco espaço para os joelhos. Em compensação, o porta-malas de 402 litros é maior do que alguns pesos-pesados da categoria, como VW T-Cross (373 litros com o banco traseiro na posição normal) e Jeep Renegade (320 litros).

    Desempenho e consumo

    Peugeot 2008 1 - Pedro Bicudo/Divulgação - Pedro Bicudo/Divulgação
    Respostas ágeis do motor 1.6 THP cativam o motorista

    Imagem: Pedro Bicudo/Divulgação

    A linha 2008 é oferecida em duas motorizações. No caso das configurações Style e Griffe (esta segunda avaliada por UOL Carros), o SUV é movido pelo conhecido motor 1.6 turboflex, que entrega até 173 cv e 24,5 kgfm de torque máximo com etanol no tanque.

    É ele a grande estrela do SUV. A impressão, inclusive, é de que o conjunto entrega até mais do que o 2008 precisaria. Seja como for, o utilitário esportivo está entre os carros mais empolgantes do país, sobretudo pelas respostas prontas e o comportamento ágil nas acelerações. O câmbio automático de seis marchas contribui para uma experiência mais prazerosa. Bem escalonada, a transmissão realiza as trocas de marcha sem atrasos, ainda que não da maneira mais suave.

    Entretanto, tudo tem seu preço, e ele é sentido no consumo de combustível. As médias urbana e rodoviária são de 7,4 km/l e 9 km/l, respectivamente, com etanol no tanque. Os números sobem para 10,6 km/l e 13,1 km/l se o combustível for a gasolina.

    Equipamentos

    Peugeot 2008 2 - Pedro Bicudo/Divulgação - Pedro Bicudo/Divulgação
    Volante é pequeno e bancos ficam em posição elevada

    Imagem: Pedro Bicudo/Divulgação

    Se o 2008 já não encanta mais pela modernidade do projeto, ao menos ele agrada na lista de itens de série. Pela primeira vez, o modelo sai de fábrica com revestimento completo em couro sintético.

    Além disso, a versão Griffe oferece equipamentos como ar-condicionado digital com duas zonas de temperatura, controle de cruzeiro com limitador de velocidade, central multimídia com tela tátil de 7 polegadas e suporte a Android Auto e Apple Car Play com fios, rodas de liga leve com acabamento diamantado e teto solar panorâmico fixo.

    A configuração mais cara ainda vem com o Grip Control, um seletor com modos que atuam no controle de tração. Assim, o carro consegue se virar com um pouco mais de destreza em pisos escorregadios e/ou de baixa aderência, como terra e areia.

    Manutenção e segurança

    Peugeot 2008 3 - Pedro Bicudo/Divulgação - Pedro Bicudo/Divulgação
    Lista de itens de segurança inclui 6 airbags

    Imagem: Pedro Bicudo/Divulgação

    Mesmo sendo um dos modelos mais baratos da categoria, o 2008 agrada quando o assunto é segurança. Na versão Griffe, ele possui 6 airbags (dois frontais, dois laterais e outros dois para proteção das cabeças dos passageiros), controles de estabilidade e de tração e assistente de partida em rampas.

    Nos custos de manutenção, o SUV da Peugeot também vai bem. O valor para realizar as seis primeiras revisões é de R$ 4.639 (em julho de 2022), enquanto o valor médio do seguro está em R$ 5 mil.

    Concorrentes

    Citroën C4 Cactus - DIVULGAÇÃO - DIVULGAÇÃO
    Primo dos tempos de PSA, C4 Cactus é um dos rivais do 2008

    Imagem: DIVULGAÇÃO

    Apesar de enfrentar as versões de entrada de alguns SUVs compactos mais vendidos, como Jeep Renegade Sport e Nissan Kicks Advance, o 2008 bate de frente com dois modelos de marcas francesas.

    Um deles é o Renault Duster. Na versão Iconic, o modelo sai por R$ 124.790, mas com a motorização 1.6 aspirada de até 120 cv e 16,2 kgfm quando abastecido com etanol. Caso opte pelo moderno 1.3 TCe, que rende até 170 cv e 27,5 kgfm, o cliente precisa desembolsar bem mais: R$ 138.790. Seja qual for o motor, o Duster se destaca pelo generoso espaço interno.

    O segundo concorrente é um velho conhecido do 2008. Trata-se do Citroën C4 Cactus, ‘primo’ da época de PSA. Na configuração Shine Pack, o modelo se equipara em muitos aspectos, incluindo porte e lista de equipamentos. Isso sem contar que o Cactus utiliza a mesma motorização 1.6 turbinada de 173 cv do 2008 Griffe. O representante da Citroën custa R$ 138.990, mas pode ser encontrado por volta de R$ 126 mil.