Montadoras de veículos investirão quase R$ 50 bilhões no Brasil até 2025

    |Fonte: Automotive Business|

    Novos aportes anunciados por Great Wall Motors e VW turbinaram estatísticas do setor automotivo

    Faz mais de dois anos que a indústria automotiva vive uma fase complicada. Fatores como a crise econômica causada pela pandemia de Covid-19 e a falta de semicondutores estão entre as principais causas do momento ruim.

    Mesmo assim, algumas montadoras fazem investimentos expressivos no Brasil. Contabilizando os aportes anunciados até junho de 2022, as fabricantes de automóveis de passeio e veículos pesados (caminhões e ônibus) vão aplicar R$ 49,9 bilhões até 2025.

    Abaixo listamos os investimentos detalhados por montadora, bem como o período correspondente e qual será o destino do montante de cada empresa.

    Great Wall: R$ 10 bilhões (até 2032)

    Após comprar a fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis, a Great Wall Motors anunciou um robusto investimento de R$ 10 bilhões no prazo de uma década.

    O montante será aplicado em duas fases. Na primeira, que vai de 2023 a 2025, a montadora chinesa vai investir R$ 4 bilhões. Além de adaptar a fábrica, a meta é desenvolver fornecedores locais para que os modelos feitos aqui tenham índice de nacionalização de 60%.

    Na segunda fase do plano, com vigência entre 2026 e 2032, a Great Wall aplicará R$ 6 milhões para produzir baterias no Brasil. Além disso, a montadora deve lançar a marca de luxo Ora, que produz modelos equipados com conexão 5G, reconhecimento facial e sistemas semiautônomos de assistência à direção.

    Toyota: R$ 50 milhões (2022)

    A Toyota anunciou em 2022 um investimento de R$ 50 milhões para a fábrica de Indaiatuba (SP), destinados para a “renovação do ciclo de vida do Corolla sedã”. A reestilização apresentada em junho trouxe discretas modificações na dianteira e algumas melhorias no interior, que ganhou painel digital com tela de 12,3 polegadas. O sistema híbrido do sedã europeu teve melhorias, mas não se sabe se a Toyota realizará modificações nas versões híbridas vendidas no Brasil.

    O facelift deve estrear por aqui apenas no último trimestre deste ano. Segundo a Toyota, o projeto de renovação da fábrica de Indaiatuba começará neste ano e o aporte será aplicado na atualização do complexo com novas tecnologias para a linha de montagem.

    Até então, o último investimento feito pela empresa no Brasil havia sido de R$ 1 bilhão em 2019. O montante foi aplicado na fábrica de Sorocaba (SP) e no desenvolvimento local do Corolla Cross, primeiro SUV nacional da marca no país feito sobre a plataforma global TNGA.

    Volkswagen: R$ 7 bilhões (2021-2026)

    No final de 2021, a Volkswagen confirmou um investimento de R$ 7 bilhões na região até 2026. O anúncio foi feito pouco tempo depois do fim de um ciclo de igual valor lançado em 2017, e que resultou na renovação de sua linha com o lançamento de 20 modelos.

    Desta vez, o montante será aplicado no lançamento de modelos compactos de entrada a partir de 2023. Por enquanto, o único projeto confirmado é o do Polo Track, versão com “pegada” aventureira que será produzida em Taubaté (SP), onde hoje são produzidos Gol e Voyage. O carro, inclusive, será o substituto do veterano Gol, que deve sair de cena ainda em 2022.

    O novo ciclo de investimentos também prevê a expansão de negócios digitais, além de pesquisas na área de biocombustíveis.

    A VW, porém, não detalhou como será realizada a distribuição do montante entre os mercados de Brasil e Argentina. Por falar no mercado argentino, a filial de lá anunciou um investimento de US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,24 bi) entre 2022 e 2026.

    O montante será destinado à reestilização da atual Amarok (cuja nova geração não será fabricada por lá) e na produção de motocicletas Ducati em Córdoba.

    Volkswagen Caminhões e Ônibus: R$ 2 bilhões (2021-2025)

    Anunciado no fim de 2020, o investimento de R$ 2 bilhões da VWCO é o maior realizado em seus 40 anos de história. Os recursos serão destinados à continuação do desenvolvimento de modelos elétricos e híbridos no Brasil, que foi lançado como o e-Delivery.

    A quantia também será aplicada no desenvolvimento do sistema de emissão Euro 6/Proconve P8, além de melhorias na fábrica de Resende (RJ) e na renovação e lançamento de novas versões de modelos já em linha.

    O programa sucede o investimento anterior de R$ 1,5 bilhão de 2017 a 2020, do qual R$ 1 bilhão foi aplicado no desenvolvimento da família de extrapesados Meteor.

    Stellantis (FCA + PSA): R$ 16,2 bilhões (2019 – 2025)

    A FCA – Fiat Chrysler Automobiles (FCA), que depois daria origem à Stellantis a partir da fusão com a PSA, anunciou amplo investimento no Brasil em 2018. Inicialmente, seriam aplicados R$ 14 bilhões de 2019 a 2024. Devido à pandemia, o plano foi estendido até 2025 e o valor foi reajustado para R$ 16 bilhões por causa da desvalorização do real.

    Na ocasião, o grupo revelou que os recursos, divididos entre Betim (MG) e Goiana (PE), contemplavam 12 lançamentos. Dos três SUVs (dois Fiat e um Jeep), dois deles já estão nas ruas: o Fiat Pulse e o Jeep Commander. O terceiro é o Fiat Fastback, cuja estreia deve acontecer ainda em 2022.

    O montante também incluía as picapes Fiat Strada e Ram 1500, além de quatro reestilizações de veículos em linha: Jeep Renegade e possivelmente os Fiat Argo e Cronos. Por fim, o investimento inclui a renovação completa de três modelos, que ganharão novas plataformas, design e tecnologias.

    Outra frente do programa é a nova fábrica de motores GSE Turbo em Betim, que desde 2019 recebe investimento de R$ 500 milhões. A planta começou a produzir em março de 2021 com capacidade inicial de 100 mil unidades/ano.

    Em uma primeira fase foi iniciada a fabricação do propulsor 1.3 T270 de 180 cv, que hoje equipa os Jeep Compass e Renegade, além da Fiat Toro. No ano passado foi a vez do 1.0 T200, de até 130 cv, começar a ser fabricado. Este estreou no Fiat Pulse, mas logo estará em outros modelos da Stellantis, como o Peugeot 208.

    Antes da fusão com a FCA na Stellantis, a antiga PSA anunciou, em 2019, aportes de R$ 220 milhões na fábrica de Porto Real (RJ) para iniciar em 2021 a produção de modelos Peugeot e Citroën sobre a plataforma CMP.

    O investimento foi confirmado e o primeiro carro feito sobre a nova plataforma será a nova geração do Citroën C3. O modelo deveria ter estreado no final de 2021, mas o grupo decidiu adiar o lançamento para realizar melhorias no projeto. Por ora, a nova data de estreia do C3 é julho de 2022.

    Volvo: R$ 1,25 bilhão (2020-2025)

    Os bons resultados obtidos no Brasil motivaram a Volvo a realizar um novo investimento por aqui. A quantia de R$ 1,5 bilhão será aplicada até 2025, sendo a maioria dos recursos voltados para pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços.

    Em 2021, a Volvo vendeu 21,8 mil caminhões no Brasil, resultando em uma alta de 45,7% frente ao ano anterior. O desempenho acompanhou o crescimento de 43,5% do mercado de caminhões, que emplacou 128,7 mil veículos no ano passado.

    Renault: quantia não revelada

    A fabricante finalizou um investimento de R$ 1,1 bilhão no primeiro semestre de 2022. Os recursos foram aplicados em cinco produtos, entre renovações e lançamentos: Master, Oroch, Kwid, Duster 1.3 turbo e Kwid E-Tech.

    Em março, a Renault anunciou novidades importantes. A empresa produzirá a plataforma modular CMF-B, concebida para veículos compactos, em São José dos Pinhais (PR). Além de servir de base para a renovação do Duster, a plataforma será aplicada no Bigster (um SUV de 7 lugares baseado no Duster) e em um inédito SUV compacto, cujo projeto deve aproveitar muito do Dacia Stepway europeu.

    Por fim, a marca confirmou a produção de um inédito motor 1.0 turbo. Na Europa, o conjunto equipa alguns modelos da Renault, como Clio e Captur, além de veículos indianos da aliança Renault-Nissan, como Nissan Magnite e os Renault Kiger e Triber.

    Na ocasião, porém, a Renault não revelou o montante a ser investido para viabilizar essas novidades.

    Caoa: R$ 1,5 bilhão (até 2023)

    O grupo fundado por Carlos Alberto de Oliveira Andrade anunciou, em novembro de 2020, um investimento de R$ 1,5 bilhão. O ciclo tem validade até 2023 aproveitando incentivos fiscais para a região Centro-Oeste. Esses recursos vão para a fábrica do Grupo Caoa em Anápolis (GO), com a promessa de gerar 2 mil empregos diretos, adicionais aos 1,6 mil atuais, com a estruturação de duas novas linhas de produção. Serão fabricados dez modelos das marcas Caoa Chery e Hyundai, entre modelos novos e renovações de produtos existentes.

    O lançamento de uma nova marca (provavelmente a Exeed, marca de luxo da Chery) também está nos planos. Na ocasião do anúncio da sociedade 50/50 entre Caoa e Chery no Brasil, o plano era investir US$ 2 bilhões de 2017 a 2023. Possivelmente o investimento anunciado pela Caoa em Anápolis é parte desse programa.

    Mercedes-Benz Caminhões e Ônibus: R$ 2,4 bilhões (2018-2022)

    Do investimento de R$ 2,4 bilhões anunciado em 2018, a Mercedes-Benz investiu R$ 1,4 bilhão no lançamento do novo Actros no final de 2019; R$ 100 milhões na instalação de nova linha 4.0 de montagem de caminhões em São Bernardo do Campo (SP); e R$ 107 milhões na instalação de nova linha 4.0 de chassis de ônibus, também na planta do ABC paulista.

    Quanto aos quase R$ 800 milhões restantes, a fabricante promoverá a renovação de produtos, lançamentos de novas versões, ampliação das linhas de produção digitalizadas e o desenvolvimento de sistemas de emissões Euro 6.

    Com o montante próximo de ser concluído, o presidente da companhia no Brasil e CEO para a América Latina, Achim Puchert, aponta que a companhia quer colher os resultados e ver o amadurecimento dos investimentos recentes para estudar os próximos passos. Globalmente, a organização trabalha com a orientação de reduzir aportes até 2025 e “fazer uso inteligente do capital já aplicado”.

    Scania: R$ 1,4 bilhão (2021-2024)

    Anunciado em 2019, o investimento de R$ 1,4 bilhão contempla um ciclo que se encerra em 2024. Os recursos serão aplicados na modernização da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) e desenvolvimento de novas tecnologias (incluindo desenvolvimento de combustíveis alternativos e sistemas de emissão Euro 6/Proconve P8). O plano sucede o programa anterior de R$ 2,6 bilhões, de 2017 a 2020, que envolveu o lançamento da nova geração de caminhões Scania no Brasil em 2019.

    GM: R$ 10 bilhões (2020-2024)

    O programa, anunciado em 2019 para aproveitar incentivos do IcentivAuto, com desconto de até 25% no ICM de São Paulo, foi suspenso em 2020 com a pandemia e retomado em 2021. Os recursos são destinados às fábricas paulistas de São Caetano do Sul e São José dos Campos. Não foram divulgados detalhes, mas sabe-se que os aportes devem ser divididos quase que por igual entre as duas fábricas; São José, que ficou fora do plano anterior, deverá fazer um novo veículo – hoje a planta só produz a picape S10 e o SUV Trailblazer, além de motores velhos e transmissões.

    Quanto à fábrica de São Caetano do Sul, a planta foi modernizada e readequada para a produção da nova Montana. Sua estreia foi confirmada para 2013, ainda sem data revelada.

    O plano da GM no quinquênio anterior foi de R$ 13 bilhões, usados para renovar boa parte do portfólio de modelos Chevrolet, incluindo o lançamento da nova família Onix produzida em Gravataí (RS), e do primeiro SUV nacional da marca, o novo Tracker que começou a ser montado em São Caetano em março de 2020. As duas fábricas também passaram por processos de modernização. Em Joinville (SC) foi construída uma nova unidade com mais que o dobro do tamanho da anterior para a produção dos novos motores tricilíndricos 1.0 aspirado e 1.0 e 1.2 turbinados.